2026/09/08
BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa
O zelo necessário para um recém nascido evolui. Já faz muito tempo que os familiares, nomeadamente os avós exerciam esse importante papel. Entretanto as pessoas decidem ter filhos cada vez mais tarde e isso afetou esta solução. A saúde dos mais idosos já não o permite as mais das vezes.
Também a crescente mobilidade do local de trabalho vem a criar novas dificuldades.
Esta realidade não é assim tão nova como isso. Mas, vem-se agravando.
As mais das vezes é um sério impedimento para um casal cumprir o seu desejo de ter filhos. Talvez por isso, a opção de ter apenas um filho tem vindo a crescer.
Não há oferta de creches no sistema público. A resposta está nas instituições. Mas, o custo é suportado pelo orçamento do estado, integralmente.
Contudo, o número disponível em cada instituição, em cada concelho está muito limitado em presença da realidade.
É necessário que o estado alargue o número de crianças na fase de creche. Sabemos que não basta a garantia do pagamento. Cada instituição haverá também e assim, de estar aberta a receber mais crianças.
Como sociedade temos esse dever.
Muito acrescido quando precisamos de receber trabalhadores qualificados de outros países. Que não têm cá os parentes próximos.
Ouvimos há dias a secretária de Estado da pasta Clara Marques Mendes afirmar melhorias neste capítulo. Sabemos contudo como se debate um governante para vencer a difícil muralha do ministério das Finanças.
O orçamento não estica. Mas, as opções são a gestão política das prioridades.
No caso da resposta à necessidade de mais lugares em creches, esta tem de ser uma dessas prioridades.
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
(Este artigo de opinião semanal é publicado em cerca de 50 jornais)