BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa
A jovem a concluir o último ano de licenciatura, falava-me da sua indecisão. Até há algum tempo atrás não tinha dúvidas de que o destino era Inglaterra. Agora não tem a certeza. Explicou. A família continua a procurar convencê-la a não emigrar. Teme perder o namorado. E, feitas as contas, o ganho salarial não é assim tanto que o justifique. “Lá vou ganhar cerca de 2.500,00. Em Portugal, o salário médio no mesmo emprego anda próximo dos 1.500,00. Mas, uma refeição simples custa o dobro. Os transportes também. O preço de um quarto dá que pensar”.
Esta jovem concluiu, assim, que financeiramente não compensa. Para além das (importantes…) questões pessoais. Mas, a formação na carreira também é importante, questionei. “Nem por isso… Muitos jovens licenciados nos países europeus estão a decidir viver e trabalhar em Portugal. O custo de vida é mais baixo, maior segurança, mais tranquilidade. As pessoas aqui são acolhedoras. Tenho amigos de países europeus que vieram aqui fazer o ‘erasmus’ e não quiserem regressar” - concluiu a jovem.
A conversa com esta jovem ia interessante. Não queria cortar-lhe a ideia da vontade anterior de emigrar. Mas, não pude deixar a minha dúvida crescer. Questionei. “Mas, vê futuro para um casal jovem formar vida em Portugal, com estabilidade?”
A resposta surpreendeu-me! A jovem enunciou-me um rol de vantagens fiscais, de apoio ao primeiro emprego, de criar o próprio emprego, apoio à renda de casa, aos empréstimos para habitação própria, etc! Inclusive informou-me que havia um apoio de cerca de mil euros para melhorar as capacidades no digital!
Uau! Disse eu. Será que os nossos jovens sabem disso?
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
(Este artigo de opinião semanal é publicado em cerca de 50 jornais)