BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa
A questão da falta de creches foi colocada na agenda política do Parlamento. Por proposta do CDS/PP, a Comissão Parlamentar respetiva recomendou ao Governo que equacione a criação de benefícios fiscais para as empresas que criem creches para os filhos dos trabalhadores.
Lembro que, nos anos 60, em Portugal, a existência de creches e infantários para filhos de trabalhadores era escassa e, quando existia, estava maioritariamente ligada a grandes empresas, “num contexto de paternalismo industrial”. O objetivo essencial destas grandes empresas dos anos 60, era o de garantir a disponibilidade das mulheres que necessitam para trabalhar. Não tinham a componente educativa e pedagógica que caracteriza as creches modernas. O objetivo principal era a higiene, alimentação e segurança física das crianças, cuidando delas enquanto os pais trabalhavam.
Recuperar essa prática será a ideia. Incentivando com benefícios fiscais. Naturalmente que a iniciativa pode ser viável apenas para grandes empresas. “Criando creches e infantários de qualidade superior, Nomeadamente para atrair mão de obra qualificada”, dizem especialistas. Mesmo assim, é bem-vinda a proposta.
Não obstante a existência de creches e infantários com dinheiros públicos, a escassez é preocupante. O Estado tem o dever de suprir essa carência de caráter social e de relevante contributo para a qualidade de vida das famílias. E, para além de constituir um dever, o Estado está também a apoiar a economia.
Além de que, deste modo também se incentivava a natalidade. Por tudo isto, a iniciativa do Parlamento é aplaudível.
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
(Este artigo de opinião semanal é publicado em cerca de 50 jornais)