2026/06/30
BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa
Estava na minha cidade e vi dois mendigos. Com menos bom aspeto. Abordaram-me. Perguntei: “Vocês vivem cá?” Nao. Perguntei se tinham familia. “Tenho pai ainda vivo”. “E ele vive convosco”? O que faz?” Deram uma resposta pouco (nada…) convincente. E afinal não viviam onde disseram. Estariam a viver num município bem longe. Disse: “Estranhei vê-los por aqui, pois tratamos bem as pessoas com dificuldades, há casas que dão comida, tem banhos…” Viraram as costas e lá foram.
Em cidades menos urbanas é raro encontrar mendigos ou outras situações para as quais a comunidade não tenha resposta.
À fala com um dirigente do movimento rotário (organização internacional com clubes em muitos concelhos), percebemos um exemplo de atenta solidariedade local. Estes clubes cuidam daquelas que necessitam de ajuda. “Há um pensamento entre nós: se a vida nos permitiu estar mais confortáveis, nomeadamente em termos financeiros, sentimos o dever de partilhar o que a vida nos deu com aqueles que tiveram a mesma oportunidade”.
Muitos destes cidadãos são incentivados por motivos de Fé, seguindo os ensinamentos religiosos e bíblicos. Com preocupação, vemos muitos que nada fazem pelos outros, a criticar os que presta auxílio aos mais necessitados. Mas, com muito maior desagrado, assistimos a muitos a rotular estes que ajudam, insinuando ou afirmando que o fazem por vaidade ou para ‘dar nas vistas”.
Saibamos reconhecer os que dão de si a ajudar quem necessita.
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
(Este artigo de opinião semanal é publicado em cerca de 50 jornais)