BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa
As comemorações do 10 de junho são no Luxemburgo. Um país com muitos emigrantes portugueses. São quinze por cento da população. O Presidente da República apelou ao regresso dos nossos emigrantes. Comentadores questionaram sobre a oportunidade do apelo. O SMN no Luxemburgo é três vezes mais do que o nosso. É certo que o custo de vida também é superior, mas a diferença continua a ser grande. Se assim não fosse, regressariam. O que não acontece.
O primeiro-ministro luxemburguês - mais tarde, presidente da Comissão Europeia - Jacques Santer, em meados dos anos 90 quis conhecer o povo no seu país emigrado, que era essencialmente do Norte do país. A meu convite veio ao Porto onde esteve três dias. Contactou com várias realidades. Concluiu que percebeu os motivos deste nosso povo ter tão bom acolhimento no seu país: trabalhadores, sérios, respeitadores e… com baixos salários, comparativamente. Também relevou a qualidade dos serviços que o Luxemburgo oferece. Designadamente na Saúde, que seria mais um atrativo.
Há dias, numa cama de hospital do Norte do país, um emigrante no Luxemburgo falou-me que o seu objetivo sempre foi e é regressar a Portugal. Estávamos no hospital e o tema Saúde não podia deixar de ser falado. “O meu sogro, também emigrante no Luxemburgo, sempre fez todos os exames e foi bem acompanhado. Mas foi aqui, em Portugal, que descobriram que tinha um cancro. Se não tivessem detetado já cá não estava!”
Mais do que o agastamento pelo sofrimento que a família passou, li nos seus olhos um certo orgulho por haver sido a medicina em Portugal a salvar o seu sogro - no superdesenvolvido luxemburgo não o detetaram.
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
(Este artigo de opinião semanal é publicado em cerca de 50 jornais)