BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa
“Há uma boa notícia: quem não fala português não vai poder estar cá!”
Este proprietário de um apreciado restaurante em Óbidos, tem ao seu serviço quase somente imigrantes. “Se não são eles tinha de fechar o restaurante! Mas, todos falam ‘bem’ o português!”
Uma jovem ucraniana, cuja guerra obrigou a emigrar. Está cá há quatro anos. Fala muito bem português. Uma jovem brasileira, está cá há um ano, quase sem sotaque. “Tenho três nepaleses na cozinha, dois falam o português e um não tem interesse em aprender a língua! Insisto com ele, mas não está interessado! No fim do contrato, vou dispensá-lo!”. O simpático proprietário do restaurante justificou: “É uma falta de respeito! São bem recebidos e não querem saber de conhecer nada do nosso país. Nem a língua! Esse não quero cá!”
A obrigatoriedade de um imigrante residente saber a língua e alguns costumes está na nova lei. Muitos o aplaudem.
Li há dias, num site de confiança, um comentário de um inglês a falar de Lisboa, que já havia conhecido. Continuou a elogiar e deteve-se num local: o Martim Moniz. De forma muito simpática, disse que continuava a ser uma praça muito bonita e acolhedora. Apesar da quantidade de asiáticos, que a enchem e modificaram a ‘paisagem’. Mas, fez questão de dizer que continua a ser um local onde se sente seguro, “como toda a Lisboa”.
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
(Este artigo de opinião semanal é publicado em cerca de 50 jornais)